terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O despeitado da madrugada

Amigos!!!... Quantas saudades!!!... Alguns estavam a achar que eu já tinha passado dessa pra melhor... Estou sem escrever há tempos... Mas hoje vou postar mais uma historinha de arrepiar...


Tenho um amigo muito querido (que vou chamar de José Reinaldo) que me acordou plena madrugada para fazer um pedido um tanto incomum... Só narrando a história desde o início para todo mundo entender.



O José Reinaldo teve uma namorada há uns anos (que vou chamar de Clarisse) e os dois tiveram um romance pra lá de problemático... O José Reinaldo vive dizendo pra todo mundo que ele foi quem deu o “pé-na-bunda” da Clarisse, mas confesso que depois do que aconteceu no sábado passado quando ele me ligou de madrugada... estou propensa a ter sérias dúvidas quanto a isso...


O José Reinaldo já se separou da Clarisse há quase 10 anos. Eles nunca mais tiveram nada e eu acho que se eles se encontraram depois do término do romance não deve ter passado de umas 5 vezes. O José Reinaldo arrumou outra namorada e até ficou noivo... E está até hoje noivo dessa outra moça que vou chamar de Leila. Na verdade o cara já até mora com a namorada, então acho que ela pode ser elevada ao posto de “namoesposa”... RS...



Meu pai sempre diz que a feiúra rende muito mais que a beleza, pois beleza acaba e feiúra só aumenta... RS... Confesso concordar com ele, mas me lembrei desse ditado do meu pai agora pra narrar outra variável “afetante” do caso... A Clarisse, com o passar dos anos, envelheceu (todos envelhecem)  mas ela não ficou tão “derrubada”... Agora o José Reinaldo... Pensem num homem que a feiúra rendeu bastante: engordou, ta com um monte de rugas na cara e com um aspecto terrivelmente abominável  (a  “marvada pinga” não favorece ninguém).  Ainda bem que ele já era namoesposo da Leila... Senão dificilmente ia arrumar uma doida pra encarar...


Enfim, estou a dormir na madrugada de sábado e o meu celular (o da linha particular obviamente, pois tenho linha comercial que desligo se não acaba o sossego) começou a tocar e eu peguei-me a imaginar mil coisas pra alguém ligar naquela hora: morte, acidente, alguém “pariu”, ganhei na megasena... RS...

Atendi o telefone e uma voz de bêbado chorosa (do José Reinaldo) e ao mesmo tempo cheia de ira disse: “Eu quero morrer!!!... Ou melhor, eu quero é matar!!!...”.

Fiquei sem entender de início o que estava acontecendo, mas logo ele já começou a despejar aquele monte de informação em cima de mim: “Aquela piranha da Clarisse já ta se engraçando com um otário por aí e colocou o cara dentro da casa dela acredita???... Fica com safadeza, tem 2 filhos pequenos e ao invés de pensar neles... só pensa no pé-de-pano que ta pegando ela”.


Eu estava meio que dormindo e subitamente perguntei: “José Reinaldo, Quem é Clarisse???”. Ele respondeu: “Aquela moça que eu namorei há 10 anos”. Eu disse: “Sei...”. Ele então continuou: “Eu acabei de ver o Baltazar (um amigo que eles têm em comum) e ele me disse que ela ta até de aliança. Perdeu o respeito pelos filhos mesmo, virou uma qualquer, pega o primeiro cara que aparece na frente e vai curtir”.

Eu sigo uma política de não discutir nem com gente doida e nem com gente bêbada (o José Reinaldo estava nos 2 estágios...). Embora tenha tido vontade de rir dele na cara dele, me contive e limitei-me a escutar o que ele falava, ele então continuou (já se acabando em lágrimas): “Eu achava que não amava mais a Clarisse, mas eu vou te confessar uma coisa, eu ainda sou apaixonado por ela, eu percebi isso na hora que o Baltazar me disse que ela ia casar com outro homem. O que eu faço Beatriz?... A Leila ta contando certeza que eu vou casar com ela, mas eu não quero pois eu tenho uma esperança lá no fundinho de ainda ter alguma coisa pra eu me apegar...”.

Até aí tava tudo bem, nada de anormal pra uma noite de sábado: bêbados chorões, arrependimento de não ter se manifestado antes, muita cachaça na veia e falando besteira pelos cotovelos... O problema foi quando ele me fez um pedido (dizendo ele favor de amigona pra amigão): Ir com ele na casa da Clarisse (3 da madrugada) pois ele não tinha coragem de ir lá sozinho...

Sabe quando você se sente tentada a perguntar uma coisa só pra ter certeza?... Soltei: “Mas José Reinaldo, por que você quer ir lá? Foi você quem dispensou... A fila anda meu filho!!!...”. (E no caso do José Reinaldo, como tava “derrubado” pra caramba, acho difícil a gambira da Clarisse ter sido arrumar um cara mais “derrota” do que ele...

A ligação caiu e ele não ligou mais... Com certeza o crédito acabou porque telefone dele é igual pai de santo: Só recebe!!!... RS... Não liguei de volta e realmente não sei se ele ligou pra Clarisse ou foi até a casa dela, afinal isso aconteceu sábado passado... Mas de algumas coisas tenho absoluta certeza: 

01 -  A Clarisse “tá podendo”,
02 -  a Leila está a um passo de ser a mais nova solteira e,
03 - o José Reinaldo gastou horrores com crédito no celular pois ele ligou do celular TIM na minha linha da VIVO... kkk... Com certeza achou que os 25 centavos iam dar tempo de sobra pra uma sessão de terapia gratuita.

Naquele domingo, o José Reinaldo, Que já estava a um passo do ridículo, acordou com 10 reais a menos no celular e com certeza não pode dizer: “Hoje eu estou mais rico que ontem”...


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O "peguete" da Lilete

 
 
Amigos, boa noite! Estou aqui, aos "trancos e barrancos", usando um pouquinho de tempo que me sobrou pra escrever mais uma história para vós. A história de hoje é sobre uma mulher muito doida que conheceu um rapaz na internet e botou ele em muitas confusões...
 
Era uma vez (tão clichê!!!...) uma moça (que chamarei de Lilete) que trabalhava em uma emissora de televisão na cidade de Goiânia. A Lilete adorava entrar na net e fazer novos contatos profissionais, amizades e de vez em quando uma paquera.
 
Um dia, Lilete conheceu um rapazinho do Rio de Janeiro. O rapaz parecia (segundo a Lilete) ser boa pessoa (mas quem não é?... rs...). O importante é que eles começaram uma amizade e com o passar do tempo acabaram-se por se tornar paqueras...
 
Lilete convidou o rapaz para vir a cidade de Goiânia conhece-la pessoalmente e o rapazinho aceitou o convite com a condição que ela o pegasse no aeroporto na quinta-feira e ficasse com ele ate o domingo à noite quando o mesmo pegaria o avião de volta ao Rio de Janeiro.
 
Chegou a quinta-feira marcada e o rapaz (a quem vou chamar de Robson) desceu do avião no aeroporto de Goiânia. Pegou suas malas e atravessou a porta da saída esperando que a Lilete o aguardasse logo afora.
 
 
 
Ele saiu e nada viu... nem Lilete e nem ninguém que ali pudesse estar para esperá-lo. Ele olhou pra todos os lados e nada viu. Pegou suas malas e ficou próximo a passagem de carros que era o espaço de embarque e desembarque dos veículos.
 
Esperou, esperou, esperou... e nada da Lilete aparecer pra dar o ar da graça. Ele já (com o perdão da palavra) "puto da vida", começou a ligar para a Lilete para ver o que ela estava fazendo de tão importante que não aparecia para buscá-lo. Mas ligava em vão, pois Lilete nunca atendia...
 
Repentinamente, ele olha para um lado das passagens e vê um carro de reportagens parando e ele, sabendo que a Lilete trabalhava naquela emissora, pensou que ela pudesse estar naquele veículo. Qual não é a surpresa de Robson, quando um repórter com um microfone e um camera se aproximam dele, enfiam-lhe o microfone na cara e disparam: "Senhor, o que o senhor está achando desse descaso com o Aeroporto de Goiânia?".
 
Robson, vendo aquilo, já meio sem ação e se preparando para falar ao "furo jornalístico", pensa então que pode ser uma pegadinha da Lilete com ele e resolve "entrar no jogo" respondendo: "Horrível... Isso aqui está uma bagunça!!!... Precisam fazer alguma coisa pra melhorar!!!... Estou indignado!!!..."... O mais engraçado é que ele nem sabia sobre o que estava reclamando, mas como julgava ser uma pegadinha da Lilete, fez "caras e bocas" pra o reporter.
 
Após a "entrevista", Robson achou que a Lilete fosse aparecer e dizer que era uma "pegadinha", mas ele não viu nem sinal dela. Esperou, esperou, esperou... e depois de horas a Lilete foi aparecer pois não tinha sido liberada do trabalho entao não podia sair pra pegar ele no aeroporto...
 
Lilete, entao, chegou depois de horas pra buscar o Robson e este já não se aguentava mais de tanto esperar... Foram para o trabalho dela pois ele só tinha o horário de almoço para busca-lo e como não havia sido liberada pelo chefe acabou por ter que deixar o Robson no sofazinho da recepção ao lado da sala de edição das notícias.
 
Depois de mais de uma hora sentado, e morrendo de tédio, ele vê um rosto conhecido: o repórter que tinha entrevistado ele no aeroporto. O reporter também o reconhece e o cumprimenta. Depois de mais um tempo, o repórter volta e todo "cheio de dedos" pergunta: "O senhor está aqui para fazer alguma reclamação sobre a sua entrevista?"... Robson começou a rir e disse: "Não, estou aqui porque conheço uma moça que trabalha aqui e por sinal revelou-se a mulher mais enrolada do mundo!!!..."
 
O repórter foi-se embora e o Robson como sempre esperou, esperou e esperou... Deu-se as 18 horas e Lilete até que enfim pode sair do trabalho pois havia acabado o seu expediente e foram para casa de Lilete para que Robson pudesse se acomodar...
 
No outro dia Lilete também não conseguiu folga na emissora e deixou o Robson esperando por ela na residência dela durante o dia todo... Quando chegou em casa disse pra ele que iria compensá-lo então eles foram para Caldas Novas (cidade turística do Estado de Goiás).
 
Chegando lá, foram direto para a piscina de ondas e comecaram a se beijar... Os beijos começaram a ficar "calientes" em demasia e o salva-vidas do local vendo a "empolgação" do casal resolveu fazer alguma coisa pra acalmar os ânimos. Foi até o controle da piscina de ondas (o casal estava na piscina) e botou força total. Dizendo a Lilete, quando esta contou a aventura para mim, que se existisse a opção "TORNADO" no controle da piscina de ondas, o pessoal haveria, com certeza, a colocado.
 
Voltaram pra Goiânia e Lilete me ligou. Disse que queria jantar comigo e me apresentar o namorado. Fui até o restaurante e conheci o Robson, que acabou me narrando a história e insistiu que eu a colocasse no meu blog para que esta aventura ficasse aqui eternizada. Bem, aqui está ela narrada...
 
Naquele dia, ao contarem-me as suas aventuras, Robson e Lilete avaliaram suas perdas e ganhos. Robson, em suas próprias palavras perdeu dinheiro e tempo pois chegou na quinta e ficou até o sábado largado em casa pela Lilete e o próprio disse que poderia ter ficado na casa dele no Rio de Janeiro assistindo TV até no sábado e pago uma passagem mais barata na sua ida à Goiânia se Lilete tivesse falado que não conseguiria liberação do chefe pra sair durante o expediente...
 
Acho que nem preciso dizer, mas com certeza o Robson, quando ler esta história em que narro sua aventura mal sucedida com a Lilete, vai perceber que depois do fim de semana junto a ela com certeza não pôde acordar na segunda e dizer: "Hoje eu estou mais rico que ontem!!!...".

sábado, 19 de janeiro de 2013

O novo namoradinho da Leleca

Mais um dia que se vai... Mais um dia que chega e minha vida so ficando melhor... rs... Ainda mais quando me dedico a esta atividade que simplesmente adoro: escrever!!!... Andei a falar com uma amiga em outro pais e lembrei-me das coisas terriveis que a "maluquete" aprontava... Era quase "chave de cadeia"... Andar com ela na rua era pura adrenalina... rs... Chama-la-ei de Leleca...
 
Eu tinha uma amiga que trabalhava de cabelereira nun salao "meia boca" na periferia. Ela so atendia a "nata" da sociedade (se puderem perceber a sutileza da minha ironia). O salao que ela trabalhava era dotado de todos os clientes mais estranhos do mundo. Se existisse alguem esquisito no mundo podias perguntar pra ele quem era o cabelereiro e o "esquisitao" com certeza responderia: Leleca!...
 
Mas enfim, indo direto ao assunto, Leleca, alem de cabelereira "renomada" era tambem conhecida por ser namoradeira "afamada"... Nenhum cliente esquisitao escapava. Caiu na rede era peixe... E foi numa dessas investidas em clientes que ela recebeu um dia uma cantada "especial"... Flavio (assim irei chama-lo) era um novo cliente a cortar cabelo com Leleca e esta ja estava toda assanhadinha pra o lado dele.
 
Leleca ja estava ai com uns 50 anos e o Flavio tinha nao mais que 30. O emprego de Flavio era uma especie de coletor de reciclados (eu ate hoje nao entendo ao certo o que ele fazia) mas era alguma coisa relacionada ao aproveitamento do lixo. Para isso ele andava pra cima e pra baixo num automovel carretinha com um monte de espaco atras pra colocar o "suor do seu trabalho".
 
O Flavio nunca ligava pra Leleca no fim de semana e sempre arrumava desculpas para nao encontra-la nestes dias. A Leleca achava aquilo estranho, mas nunca o questionava pois ela tampava o sol com a peneira mesmo e aquilo que os olhos nao veem...
 
Ao sair um dia para o trabalho, encontramo-nos na esquina e fui a descer com ela, a conversar, ate que ela subisse no "busao". ela descendo do lado de dentro da calcada (passeio) e eu do lado da rua (lado do meio fio)... Etavamos a chegar na esquina onde havia um semafaro e todos os carros ali paravam. De repente, Leleca, que falava comigo animadamente comecou a ficar seria e com cara de espanto. Ela jogou a bolsa nas minhas maos e somente teve tempo de gritar: segura!
 
Ela saiu correndo em direcao dos carros parados no semafaro, chegou perto de um automovel e se atirou pra dentro dele pela janela do passageiro deixando somente as pernas de fora. Quando me virei e me acheguei pra ver melhor, pude ver a Leleca "estapeando" outra senhora e o motorista do automovel...
 
Foi aquela gritaria: "Morre seu filho da puta!!!...", "Vamos todo mundo pra delegacia seu safado ordinario!!!..."... Mas a melhor frase, na minha humilde opiniao, foi quando ela disse: "Sai dessa carrinha sua piranha porque ninguem alem de mim vai dar dentro dela!!!..."
 
Bom, era de se esperar que a qualquer momento o sinaleiro fosse se abrir... e nao calhou de abrir logo na hora que a doida da Leleca estava ainda engarranchada espapeando o cafajeste e a acompanhante? Foi aquela loucura: o Flavio nao conseguia dirigir pois estava sendo "agredido" pela Leleca. A acompanhante dele estava tentando segura-la, mas Leleca estava dominada por uma forca maior e o odio tomara conta de seu ser...
 
Os carros atras do automovel de Flavio comecaram a buzinar pois ele nao "andava" e ninguem tava afim de saber ou se importando se ele estava a sofrer duras penas de uma mulher enlouquecida de ciumes ou nao... O pessoal somente queria que a "fila andasse".e acabou por andar... Com Leleca e tudo...
 
Lembro-me hoje e acho muita graca (assim como todos os outros que la estavam) de ter visto a "buzanfa" da Leleca arreganhada pra fora do carro e ela tentando se equilibrar pra nao cair enquanto o carro andava... O Flavio desesperado pois ficou com medo dela cair e ir parar debaixo do carro e acabar atropelando a mulher. Pra finalizar, eis que ela enfim foi jogada para fora do carro (pelo menos a metade que estava pra dentro... rs...) e o Flavio pode enfim ir-se embora.
 
Passados alguns dias encontrei-me com ela novamente e nem toquei no assunto. Mas ela logo veio a me dizer que tinha resolvido o problema com a "senhora de respeito" (palavras dela) que estava no carro com o Flavio. Ela explicou-me que a senhora era uma tia dele (pensei comigo: "sei...") e que ela, a senhora de respeito, tinha ido ajudar ele na entregas... ou "buscadas"... como disse anteriormente nao sei bem o que o Flavio fazia...
 
O importante era que a partir daquele dia ela nao mais iria de busao pra o servico pois o Flavio irira leva-la e ate prometeu arrumar um "muquifinho" para os dois morarem juntos na vizinhaca "elitizada" la do bairro onde ficava o salao que ela atendia, afinal ele queria facilitar pra Leleca nao ter que pegar "busao" pra ir para o servico, ou melhor, evitar que ela andasse na rua em demasia e acabasse pegando ele a ser ajudado por outra "senhora de respeito".
 
Naquele dia, reparei uma coisa interessante: apesar de tudo indicar que a Leleca era otaria, ela acabou se dando bem pois foi morar com o "mala" que por pior que fosse pagava as contas (e as contas da Leleca era muitas!), foi enfim morar perto do salao e somente se dava ao trabalho de atravessar a rua. Analisando friamente a situacao da Leleca, do ponto de vista financeiro se deu bem... Era corna, mas era uma corna que melhorou finenceiramente a passos bem largos!!!... rs... Somente a Leleca mesmo que acordou no outro dia (ao ladinho do Flavio) e ao contrario dele nao teve nenhum problema para dizer: "Hoje eu estou mais rica que ontem!!!"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O marido de Anete

Amigos, antes de mais nada quero desejar uma otima semana a todos!... Enfim, fiquei pensando sobre o que escrever hoje, entao lembrei de um caso que aconteceu com uma amiga que trabalhava num orgao publico aqui de Goiania.

Eu tenho uma amiga (que vou chamar de Marta) que trabalha numa reparticao publica. Ela conhecia muita gente na reparticao pois alguns trabalhavam la ha muitos anos e acabavam por compartilhar alegrias e tristezas uns com os outros pois com a convivencia diaria acabavam por se tornar uma familia.

Ela conhecia uma outra senhora (que vou chamar de Anete) que trabalhava no mesmo predio, porem noutro departamento. Essa senhora era muito vaidosa e todos admiravam a maneira discreta e elegante que se vestia, sempre com o cabelo arrumado e bem cuidado. Ela era modelo de postura e comportamento para todos.

A Marta nao tinha uma relacao tao intima com a Anete, mas sempre ouvia todos comentarem sobre o casamento feliz que Anete tinha. Sempre falava tao bem do marido e da relacao que eles tinham de companheirismo e confianca. Em suma, era o modelo de casamento que todos os casamentos deveriam seguir. E o marido dela ainda tinha um "bonus": era "podre de rico".

Marta, depois de um tempo, comecou a se encontrar com Anete com frequencia, pois ela (Marta) tinha sido transferida para o mesmo departamento que Anete trabalhava. Assim entao comecaram a trocar ideias, falar sobre a familia e sobre as coisas de suas vidas. Marta ouvia com atencao os conselhos sobre casamento que Anete dava e sempre tentava aprender o maximo de conhecimento gentilmente doado por ela.

Anete um dia estava muito triste e Marta perguntou o que se passava. Anete disse se sentir so pois, apesar, de um casamento de sucesso, ela infelizmente nao teve filhos. Marta tentou consola-la mas Anete se disse preocupada pois tinha medo de, na falta de seu marido, ficar sozinha. Mas Martasempre pensava que na falta dele ela ficaria bem pois ele era rico.

Numa manha de segunda, o celular (telemovel) de Anete tocou e ela comecou a chorar desesperadamente. Seu marido havia sofrido um acidene e por fatalidade do destino veio a falecer. Anete chorava aos gritos e todos se penalizaram da situacao dela. Chamaram-lhe o taxi e sua melhor amiga (que vou chamar de Silvia) e Anete foram para IML (Instituto Medico Legal).

Apos os expediente todos na reparticao combinaram de ir ate o velorio do marido de Anete e Marta penalizada da situacao dela nao poderia deixar de comparecer. Um outro funcionario entrou em contato com a Silvia e pediu-lhe informacaoes sobre o velorio, onde seria, que horas o corpo ia chegar. Silvia disse que o Velorio seria num cemiterio proximo de onde eles estavam e poderiam chegar rapidamente.

Todos entao resolveram ir para dar forca a Anete neste momento dificil. Alguns pegaram carona com outros funcionarios que possuiam carro e alguns chamaram o taxi para se deslocar ate la. Combinaram de se encontrar na porta de entrada e esperar uns pelos outros para entrarem todos juntos. Pretendiam comprar flores em alguma floricultura ao lado do cemiterio.

Marta chegou ao cemiterio de taxi com mais alguns colegas e logo avistou Anete na porta do cemiterio chorando. Ela se penalizou demasiadamente e comecou a conversar com ela e falar que todos estavam vindo para lhe dar forca. Anete chorava muito e disse que entraria assim que todos chegassem pois assim ela se sentiria segura e apoiada por eles.

Todos chegaram e abracaram Anete. Disseram que estavam ali para apoia-la e que ela teria que continuar vivendo. Marta pensava consigo: "Ainda bem que o marido da Anete e rico, pois assim pelo menos ela nao ficara desamparada financeiramente e podera ter uma velhice tranquila". Todos se juntaram e deram a forca necessaria para que Anete pudesse enfrentar a dura realidade da perda.

Quando entraram pela porta da capela onde ele estava a ser velado um rapaz de mais ou menos uns 20 anos os impede de entrar e virando-se para a Anete pergunta: "O que voce esta fazendo aqui?". Anete, chorosa diz: "Vim ver o meu marido". O rapazinho sem pestanejar e ja a ficar irritado diz: "Meu pai nao e casado com biscate! Fora daqui sua safada!...". Todos se entreolharam sem entender o que estava acontecendo. e ficaram a olhar para a Anete com aquele "ar de questionamento".

O rapazinho vendo que a Anete nao se afastava comecou a dizer-lhe: "Saia daqui antes que minha mae te veja pois se ela ainda der de cara contigo e se alterar juro que te mato!". Ai que o todos ficaram sem enteder mesmo o que estava acontecendo.

Marta se achegou a Anete e perguntou: "Por que esse rapaz nao quer deixar voce entrar para velar o seu marido?"... O rapazinho vendo a pergunta da Marta, dispara a resposta: "Marido? Voce ta louca? Ela nao e casada com o meu pai! E uma biscate que tem rolo com ele ha mais de 10 anos!".

Marta ficou muda. Entao a Anete tinha mentido todo esse tempo dizendo que era marido dela e na verdade ela era amante do senhor em questao!... Eles vendo a confusao que iam arrumar se entrassem para velar o morto, convenceram a Anete a ir-se embora. Um colega ofereceu-lhe carona ate sua casa e assim todos ficaram a saber que ela morava em um "muquifo" no centro da cidade e nao na cara dos sonhos que todos imaginavam.

No outro dia na reparticao, o velorio do "marido" da Anete era o assunto da vez. Todos ficaram estupefados com a descoberta e Marta mais que niguem se decepcionou pois o casamento perfeito que ela imaginava que um dia poderia ter na verdade era fruto da cabeca amalucada da Anete que fingia viver uma vida que nao existia.

Sempre que encontro com a Marta pergunto como esta a Anete e ela responde: "Beatriz, esta na mesma vida de sempre. Morando naquele apartamento la no centro e com vergonha de nos olhar nos olhos la na reparticao. Pra dizer a verdade, eu achei que ela iria ficar bem de situacao financeira, mas ela nao herdou nada, nem uns trocados para pagar o taxi para levar ela embora do velorio. Pra dizer a verdade, a unica pessoa que herdou alguma coisa foi a mulher dele, que ainda ficou com a pensao gorda que ele recebia do governo. Com certeza somente ela (a esposa) acordou no outro dia e disse: "Hoje eu estou mais rica que ontem!".